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Crítica | Blade Runner 2049

 

Villeneuve supera as expectativas em ‘Blade Runner 2049’, e entrega novo clássico Syfy moderno

 

 

 

Blade Runner o original de 1982 foi mais um daqueles filmes que na época dividiu opiniões, devido ao entendimento da trama, ou as discussões filosóficas. Na época, a crítica especializada caiu matando, com uma definição nada agradável, mas o legado do filme foi impressionante, pois, criou essencialmente toda a paisagem do ciber-punk que ainda existe hoje. Denis Villeneuve, que está alcançando voos altos logo após A Chegada (2016), que levou o público e a crítica ao delírio no ano passado, hoje o diretor dá um passo no futuro escuro de Los Angeles com o Blade Runner 2049, um novo e impressionante capítulo para a “franquia”. Trinta anos após o original, o filme está completamente revitalizado, não como um reboot disfarçado de continuação, mas como um clássico de ficção científica moderna, perfeitamente trabalhado para o público que deseja uma história madura e noir.

 

Califórnia, 2049. Após os problemas enfrentados com os Nexus 8, uma nova espécie de replicantes é desenvolvida, de forma que seja mais obediente aos humanos. Um deles é K (Ryan Gosling), um blade runner que caça replicantes foragidos para a polícia de Los Angeles. Após encontrar Sapper Morton (Dave Bautista), K descobre um fascinante segredo: a replicante Rachel (Sean Young) teve um filho, mantido em sigilo até então. A possibilidade de que replicantes se reproduzam pode desencadear uma guerra deles com os humanos, o que faz com que a tenente Joshi (Robin Wright), chefe de K, o envie para encontrar e eliminar a criança.

 

Tematicamente, o filme é muito um seguimento para o primeiro, tanto o clima noir, a opressão da cidade de Los Angeles, tudo está seguindo bem a cartilha de Ridley Scott. O enfoque da trama, é praticamente a mesma do filme original. À medida que a relação entre replicantes e humanos se torna mais complicada, as conversas sobre o que a liberdade e a humanidade, realmente servem como muleta para estrutura narrativa. O pano de fundo é uma boa história de detetive — porque o que é Blade Runner, se não um filme clássico noir, definido em uma configuração pouco ortodoxa, é realmente um filme autoral, pois, os personagens que permeiam esse mundo explora o que é preciso para sobreviver e prosperar em 2049.

 

A criação de mundo é inteiramente sensacional, Villenueve, usou um arsenal de possibilidades e mostrou realmente como combinar um CGI para melhorar seu mundo. Roger Deakins merece dividir junto a Villenueve as felicitações pelo projeto, pois, uma boa ficção científica tendem a ter melhores enquadramentos, e sempre buscando a expressividade de seus atores, ainda mais quando o trabalho é em replicantes. Deakins sabe como enquadrar tudo para o máximo efeito. O filme vai usar muito desse artificio, do enquadramento a um plano longo, seja ele andando pelas ruas, sempre com a sensação do clima opressor. A dupla tem um uso muito correto com os efeitos digitais para gerar seu olhar distópico. A também um grande uso de luzes fracas e neblina, que dão ao mundo uma sensação de claustrofobia. O filme possui um design de som extremamente em camadas. Como o Blade Runner original, o somatório disso tudo vem com a excelente trilha sonora de Hans Zimmer, a trilha é o grande elemento pulsante do filme, pois, evoca todo o sentimento dos personagens e as cenas, cada marcação e pausas, são dignas de aplausos.

 

O roteiro é totalmente satisfatório e gratificante, assinado pela dupla Hampton Fancher e Michael Green, finalmente temos um filme que é uma verdadeira sequência, 2049, vai à contramão de outras franquias que usaram o artifício do reboot disfarçado de continuação, como Star Wars, Caça-Fantasma e Jurassic Park. Claramente temos homenagens ao filme original, mas a pontos de ruptura entre às duas tramas. A começar pelo protagonista K, que é o oposto de Rick Deckard, K é mais melancólico solitário, tendo uma relação romântica efetiva com sua inteligência artificial, já Deckard era mais ácido e anti-herói ao estilo Ford. Toda a trama discutida no filme é de importância para a sociedade atual, até a religião urbanista é tratada no filme, questões filosóficas são tratadas com esmero, realmente um roteiro digno de uma boa ficção científica.

 

O elenco é um show à parte, novamente as peças promocionais entregaram a presença de personagens, assim foi com Harrison Ford. Ford tem o melhor desempenho ao retornar ao papel de Rick Deckard, bem mais empenhando em retornar ao universo Blade Runner do que ele fez em Star Wars: O Despertar da Força ou Indiana Jones. Ford tem uma atuação bem mais solida, e parece que nunca esqueceu de viver seu personagem. Robin Wright incrivelmente fantástica como de costume, agora está simplesmente sendo inteligente como a mulher agressiva disposta a fazer o que for preciso, não oferece nada de novo, mas é satisfatório a ver em cena. E Jared Leto está bem caricato como vilão, e tendo algumas facetas loucas de Jared Leto. Ryan Gosling, como o personagem principal, oficial K, faz um ótimo trabalho ao aprofundar todo o filme em sua performance tranquila e pensativa, o ator consegue transmitir toda melancolia e solidão de seu personagem.

 

Blade Runner 2049, é um excelente filme de obra ficção cientifica, que realmente é uma continuação e não se prende em nada ao original. Ao vermos 2049, temos em mãos uma bela obra autoral, com um trabalho primoroso do seu diretor. Um elenco pontual, e uma dupla de protagonista que já deu certo antes do filme começar. O grande diferencial do filme é simplesmente contar uma nova história e se consolidar com uma nova expansão de universo. O que fica de legado é que, temos um dos melhores filmes de ficção dos últimos anos, podendo sem exagero ser chamado de obra-prima moderna.

 

 

5-Exelente

 

 

FICHA TÉCNICA

  • DIREÇÃO

    • Denis Villeneuve

    EQUIPE TÉCNICA

    Roteiro: Hampton Fancher

    Produção: Andrew A. Kosove, Broderick Johnson, Bud Yorkin, Ridley Scott

    Fotografia: Roger Deakins

    Trilha Sonora: Benjamin Wallfisch, Hans Zimmer

    Estúdio: Warner Bros.

    Montador: Joe Walker

    Distribuidora: Sony Pictures

    ELENCO

    Ana de Armas, Carla Juri, Dave Bautista, David Dastmalchian, Harrison Ford, Hiam Abbass, Jared Leto, Lennie James, Mackenzie Davis, Robin Wright, Ryan Gosling, Sylvia Hoeks, Wood Harris

 

 

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Tiago Jamarino

Tiago Jamarino

Senhor das estrelas e dono das nerdices aqui, jornalista, redator chefe e boss dessa bagaça toda, tenho mais títulos reais, do que Daenerys targaryen. Pelos poderes concedido a mim, através da manopla do infinito conquistei o direito de estar aqui mandando em tudo, e sou formado em cinema só para constar.....